Livro: "A justiça dos homens" de Anatole France

"A Justiça dos Homens" (Crainquebille) – Anatole France
O livro é uma obra-prima da sátira social que expõe a fragilidade do indivíduo comum diante da máquina burocrática e judiciária. Publicado em 1901, reflete as tensões do Caso Dreyfus, do qual o autor foi um defensor ativo.
⚖️ O Enredo Principal
A história acompanha Jérôme Crainquebille, um vendedor ambulante de legumes em Paris. Homem simples e de bons costumes, ele acaba preso por um mal-entendido: um policial afirma tê-lo ouvido gritar "Mort aux vaches!" (Morte às vacas!), uma ofensa grave contra a autoridade na época.
🏛️ A Crítica ao Sistema
  • Palavra Oficial vs. Verdade: O juiz ignora o depoimento de um médico respeitável que testemunhou a favor do ambulante, preferindo manter a "infalibilidade" do policial.
  • O Esmagamento do Indivíduo: Para a justiça, a manutenção da ordem pública e da hierarquia estatal é mais valiosa do que a liberdade de um trabalhador pobre.
  • A Punição Social: Após cumprir a pena, Crainquebille sofre o estigma de "ex-presidiário". Ele perde clientes, entra em miséria profunda e descobre que a sociedade é mais cruel que a própria prisão.
🔗 Conexão Temática
Assim como Menocchio no livro "O Queijo e os Vermes", Crainquebille é a prova de que a justiça humana muitas vezes não busca a verdade factual, mas sim a proteção de seus próprios dogmas e estruturas de poder.

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